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E a Igreja continua a insistir na campanha contra a camisinha…

Insustentável

Reedito parte de texto postado no blog Ecologia Urbana. Nada como uma imagem clara para expressar um raciocínio.
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A imagem “demonstra com mais facilidade o espaço dominado por um carro e, consequentemente, um dos porques da sociedade do automóvel ser insustentável.”

“A primeira foto mostra uma rua com carros ocupando todo o seu espaço. Na segunda imagem, assume-se que cada carro comporta apenas 1 pessoa, o que não foge muito da realidade, em que, segundo dado da CET citado no blog Apocalipse Motorizado, a média de pessoas por carro é de 1,2. Na terceira imagem, concentra-se todas essas pessoas. O resultado é um grande espaço livre para se pensar em diferentes modais que podem ser usados coletivamente ou individualmente, contanto que seja um transporte compatível com o tamanho de uma pessoa.”

A imagem foi retirada do site da ONG Rua Viva.

Para complementar o post abaixo, transcrevo artigo do poeta Ferreira Gullar, intitulado “A saúde nos planos de saúde”, publicado na Folha de S. Paulo, em 22 de março de 2009.

A saúde nos planos de saúde
O objetivo principal é ganhar dinheiro, claro. O cliente ideal é aquele que não adoece

Ferreira Gullar

Quando digo acreditar que o capitalismo não morre, estou na verdade repetindo Karl Marx, com uma diferença, porém: para ele, como o capitalismo sai de cada crise mais vigoroso ainda, a única força capaz de liquidá-lo é a classe operária, por ele apelidada de “coveiro do capitalismo”. Como, a esta altura, a classe operária está noutra, fico só com a primeira parte da tese marxista: por si, o capitalismo não morrerá nunca.
Não estou afirmando que isso é bom ou ruim. Independentemente do que pensemos, a verdade é que o capitalismo, como planta daninha, vai se alastrando, tomando o terreno, trepando pelos troncos, sugando a seiva das árvores. Nada o detém, a não ser a sua própria voracidade, que o deixa, subitamente, sem chão e água. Aí, começa a murchar, a mixar, recuando até o ponto em que possa voltar a crescer. Como toda a sociedade depende dele, o próprio Estado lança mão de tudo para salvá-lo, com a aprovação de todos, particularmente dos trabalhadores que necessitam dele para ter emprego e salário. E começa tudo de novo.
O capitalismo não foi inventado por teóricos, nasceu espontaneamente do processo produtivo, movido pela iniciativa dos indivíduos que queriam melhorar de vida, produzir, vender, comprar, investir. Como as pessoas têm capacidades desiguais, nesse processo uns se deram melhor que outros, sendo que alguns poucos se deram muito melhor que a maioria. Por isso, o capitalismo expressa a desigualdade que caracteriza as pessoas e até mesmo as agrava. A ganância legitima toda e qualquer iniciativa, sem levar em conta que consequências terá na vida dos demais.
Enriquecer, concentrar riqueza em poucas mãos, é próprio do sistema que, em certas circunstâncias, beneficia muito a uns poucos, enquanto ignora a precária situação de muitos. O socialismo foi inventado para introduzir, no processo econômico, a justiça, a igualdade, eliminando o capitalismo. Não o conseguiu. O jeito, então, é tentar melhorá-lo, já que é impossível acabar com ele. Sonho com um milagre: que o desenvolvimento tecnológico, fazendo com que as máquinas produzam sozinhas numa escala ilimitada -já que não recebem salário, não dormem e não tiram férias- e com isso seria inevitável a distribuição gratuita do que foi produzido. A acumulação de bens chegaria a tal nível que as mercadorias perderiam o valor e o mercado deixaria de existir…
Mas, até lá, os planos de saúde continuarão a nos cobrar pela vida. Não o fazem por mal, como vimos, pois é o capital que governa o capitalista (“O Capital”, vol. 2, ed. Civilização Brasileira). Seu propósito é lucrar, promover o crescimento da empresa, custe o que custar (aos outros) e, se se trata de vender seguro saúde, há que curar as pessoas, gastando o mínimo possível. A bolsa ou a vida, diria eu, exagerando mas não tanto.
Os planos de saúde estão se tornando um problema grave para quem deles depende. A má fama do SUS -que obriga os pacientes a filas intermináveis e esperas frustrantes- faz com que as pessoas todas, com algum recurso, procurem os planos de saúde. Como os planos melhores são caros, surgem planos baratos que são verdadeiras arapucas: você paga a mensalidade, mas, quando procura o médico, descobre que ele já não atende porque o plano não o pagou.
Só que os problemas não ficam nisso, pois mesmo os planos mais caros têm se mostrado incapazes de atender seus clientes. É que esses planos aceitam mais clientes do que têm capacidade de atender. Entre os numerosos casos de que tenho conhecimento, o mais recente é o de uma amiga que sofreu fratura no pé, foi para uma casa de saúde e lá ficou durante três horas num corredor, gemendo de dor, sem que fosse atendida. A explicação da funcionária do hospital foi que o traumatologista estava atendendo a outro paciente. Já imaginou se mais alguém torce o pé naquele dia?
A situação pior é a dos idosos. Como adoecem com frequência, têm que pagar mensalidades altíssimas. Sei do caso de um senhor que, em pouco mais de um ano, teve sua mensalidade aumentada de R$ 1.200 para R$ 1.800. Queixou-se ao corretor, que lhe disse: “Eles estão aumentando exageradamente a mensalidade dos idosos para expulsá-los do plano”. Tem lógica: clientes que adoecem com frequência dão pouco lucro ou, pior, dão prejuízo, e os planos de saúde estão aí para obter lucros. O objetivo principal é ganhar dinheiro, claro. O cliente ideal é o que não adoece. O nome do troço é “plano de saúde”, não “plano de doença”. O capital governa o capitalista e o resto…

Capa do livro de Michael Porter, guru dos negócios, que agora investe sobre o mercado da saúde

Capa do livro de Michael Porter, guru dos negócios, que agora investe sobre o mercado da saúde

Parece que é assim... É assim?

Parece que é assim... É assim?

Parece óbvio haver enorme discrepância entre duas lógicas: a da vida pura e simples e a do lucro. As duas lógicas operam por meio de procedimentos diferentes, critérios diferentes e técnicas diferentes. Peguemos um caso do dia a dia das pessoas: um doente na família. A lógica do mundo da vida opera neste caso com a solidariedade. Fazemos de tudo ou quase tudo pelo doente: preparamos chazinho com limão, damos comida na boca, etc. O cálculo que se faz tem a ver com as medidas de tempo e de saúde. Queremos que nossos esforços levem rapidamente à recuperação do doente. O cálculo que fazemos tem a ver com o objetivo: saúde no final. No final, o que vale é a saúde.

E quanto à outra lógica, a do lucro, quando aplicada a este mesmo exemplo do doente na família? Levamos o doente ao hospital privado, apresentamos a carteirinha do plano de saúde. O doente, neste caso, é considerado “cliente”, cliente do hospital (paciente), cliente do plano (pagante, quando são; custo, quando doente…). A lógica do lucro pensará o doente-cliente por meio de quais critérios? E qual o cálculo a ser feito pelo plano ou pelo hospital? Tudo pela saúde do doente? Sim, acho que sim. Mas aí entrarão outros elementos no cálculo e haverá também, além da recuperação, outro objetivo: o menor custo possível. Ora, pode haver um momento em que o princípio do menor custo poderá chocar-se com a perspectiva da saúde. Certamente, não será o “custe-o-que-custar” dos parentes aflitos que desejam apenas a cura do doente…

Nós, clientes de plano de saúde, imaginamos (talvez sejamos ingênuos) que há alguma ética no negócio da saúde. Deve haver. Mas vamos imaginar por um instante que os empresários donos de hospital e as empresas de plano de saúde uma vez ou outra pensem com a calculadora e não com a ética médica ou a solidariedade comum dos mortais… Será que de vez em quando deixam de fornecer toda a tecnologia para curar ou salvar alguém? Será que de vez em quando fazem umas contas e, a depender do resultado, deixam de aplicar um remédio, mandam para casa ou evitam uma cirurgia num paciente que “não tem mais jeito”? Será que isso acontece?

Bom, um caso desse tipo, um caso só, já seria suficiente para revermos a opção desta sociedade pela saúde como mercadoria e pela saúde como mercado. Um caso só vale mais do que todo o lucro desse mercado. Hmm, eis aí um choque entre duas noções diferentes de valor. Uma vidinha só vale mais do que todo o lucro dos planos de saúde e dos hospitais? Uma boa questão. Tenho certeza que a sua vida vale mais.

Por conta desse singelo raciocínio, a saúde não deveria ser mercadoria. A sociedade não deveria admitir tal risco, de submeter questões de vida ou morte aos critérios de custo e lucro de empresários, contadores e caixas de hospital.

Sobre a desigualdade

Abaixo, transcrevo artigo do jornalista Clóvis Rossi, publicado na página A2 da Folha de S. Paulo, na edição de ontem, 15/03/2009. Atenção para a “desigualdade relevante”.

Não coloco o link porque o acesso é limitado aos assinantes da FSP e do UOL.

A mãe de todos os males

LONDRES – A desigualdade é, pelo menos para o meu gosto, inaceitável do ponto de vista ético e moral. Mas é também “a mãe de todos os males”, segundo o jornal britânico “The Guardian”, em levantamento com base no livro “O Nível do Espírito: por que sociedades mais igualitárias quase sempre se saem melhor”, de Richard Wilkinson e Kate Pickett.
Ele é pesquisador do Centro para Ciências da População da Universidade de Nottingham. Ela, do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade York.
Dois exemplos: sociedades com alto nível de desigualdade registram três vezes mais doenças mentais do que países com bom nível de coesão social; nascem dez vezes mais bebês de mães adolescentes em sociedades desiguais do que nas mais iguais.
No mundo desenvolvido, os Estados Unidos são os campeões da desigualdade: os 20% mais ricos têm renda 8,5 vezes superior a dos 20% mais pobres. O Japão é o mais igualitário: os ricos têm 3,4 vezes mais que os pobres.
Detalhe sobre o Reino Unido: foi no governo Margaret Thatcher, a mãe mundial do ultraliberalismo, que a desigualdade disparou. Começou, em 1979, com 101 (a base de comparação é 1974, com 100), e chegou a 130 em 1989, quando ela deixou o posto para John Major.
Hoje, depois de dez anos de trabalhismo, está em 140.
Os dados sobre desigualdade no Brasil são sabidamente obscenos.
Mas igualmente obscena é a lenda da queda da desigualdade que alguns acadêmicos vêm espalhando, mesmo sabendo que a única desigualdade que caiu foi entre assalariados. Não caiu, até aumentou, a desigualdade relevante que é entre o rendimento do capital e o rendimento do trabalho.
Espalhar essa lenda significa anestesiar, no governo e na sociedade, a necessidade de combater a “mãe de todos os males”.

O sorriso!

O sorriso!

Uma continha ajuda a dar dimensão a uma cifra absurda. Em termos monetários, o que representam US$ 7,5 bilhões? É tanto dinheiro que fica difícil a um trabalhador comum imaginar o que isso significa. Vamos lá. Para começar, a cotação do dólar comercial de hoje é R$ 2,35. Em reais, a fortuna do homem mais rico do Brasil, veja post logo abaixo, é de… R$ 17.625.000.000,00. Beleza.

Essa quantia, dividida pelos 365 dias de um ano, equivale a meros… R$ 48.287.671,23 por dia. 48 milhões num dia. Uma hora dessa fortuna equivale a… 2 milhões, 11 mil, 986 reais e trinta centavos. Mas é claro que tal quantia não representa o que o bilionário ganharia por hora se aplicasse no mercado financeiro. Seria muito menos (?). Se o Sr. Batista colocasse seus 48 milhões na poupança, ao fim de um longo mês, a aplicação lhe renderia hoje 0,5641, isto é, uns R$ 272 mil 390 reais e 75 centavos. Muito pouco.

Imagine que você ganhe 4 mil reais líquidos de salário por mês. A fortuna/dia de Batista, de um dia, lembre-se, poderia pagar 12.071 meses de salário para você. Doze mil e setenta e um meses representam… 1.005 anos.
Trabalhe 1.005 anos, recebendo 4 mil por mês, que você chegará a ter o dinheiro equivalente a um dia da fortuna do homem mais rico do Brasil. Claro, você não poderá gastar nada do que ganhar. Para ser rico é preciso poupar!

Outras continhas para distrair
Só o rendimento da poupança acima valem 68 meses de um salário de R$ 4 mil. Se você ganha 2 mil por mês, trabalhe 2.010 anos sem gastar um tostão. Você só ganha 1 mil? Só no ano de 6.029 você chegará a acumular o dinheirinho de um dia de Batista.
Esses 48 milhões e tanto equivalem a mais de 104.973 salários mínimos. Multiplique por 365 para saber quantos salários mínimos cabem na fortuna toda do empresário, que é só o 61° mais rico do mundo. E um segundo desse dinheiro todo? R$ 33.533,10. Pff.

Saiu a lista da Forbes dos miliardários. Um link aqui para uma nota a respeito. Dos brasileiros, o primeiro agora é um desses superhomens agressivos dos negócios, que, aliás, já tinha avisado, vaidoso, que seria o brasileiro mais rico: Eike Batista, da EBX, dona da MMX, OGX, LLX.

O sorriso do mais rico do Brasil: US$ 7,5 bi

O sorriso do mais rico do Brasil: US$ 7,5 bi

Cinco, seis, sete grandes grupos transnacionais controlam grande parte da produção de informação e entretenimento no mundo neste início de século 21, conforme mostra a imagem abaixo. Para saber mais, confira MediaChannel.org.
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Uma rápida análise gráfica da trajetória da marca da Globo parece revelar o início, a ascensão, a glória e o declínio do império. As sucessivas reestilizações do mesmo símbolo (repare a logo de 2008) não dizem da acomodação e da decadência criativa da emissora?
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logo-do-site-donos-da-midiaO site Donos da Mídia é um poderoso e importante instrumento para a cidadania e a luta pela democratização da comunicação. Na base de dados do site, encontram-se informações sobre as grandes redes de mídia, os grupos empresariais controladores dos veículos e o nome de seus sócios e proprietários. É possível saber os donos dos veículos em funcionamento em quase todos os municípios brasileiros. A pesquisa tem cinco entradas: redes, grupos, veículos, lugares e pessoas.

Uma pequena amostra das informações disponíveis em Donos da Mídia: o Grupo Associados (Diários Associados) controla 19 veículos (em sua maioria, emissoras de TV) e 70 retransmissoras de TV (em Minas e na Paraíba). Os sócios do Grupo são 302 pessoas. Dentre elas, para citar só um exemplo, o empresário Newton Paiva, também proprietário de instituições do ensino superior. Paiva é sócio das rádios Guarani AM, FM e ondas curtas.

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